Blog amoroso. Ego atencioso.
Morreu tão jovem. "Causas naturais", disse o médico.
Em memória, amado e eterno.
Rest in Peace.
Epitáfio
Domingo, 15 de Fevereiro de 2009Escrito por Manji 1 comentários
"Vire a outra face.”
Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008Escrito por Ray1001 2 comentários
“Perdoar é divino” virou uma expressão comumente usada nos dias atuais, principalmente por pessoas que costumam errar muito e adoram se desculpar por qualquer coisa, mas que ao usar frases exaustivamente repetitivas como essa parecem transmitir um ar de sabedoria budista. Essa expressão oculta muito do que o “perdão” realmente representa. Um simples “Eu te perdôo” não é o bastante ou mesmo o necessário para realmente caracterizar o real perdão que é muito citado pelos homens que foram em grande parte os formuladores da moral atual. Homens como Jesus Cristo, Mahatma Gandhi ou Buda Sakiamuni. Mas há uma enorme lacuna entre o que é pregado nas grandes máximas desses homens (ou ao menos as máximas que são atribuídas a eles), e o que de fato percebemos na realidade. E nesse vácuo reside toda a dissemelhança entre a vontade e a racionalidade, o desejo e o real.
Desde muito a racionalidade tem sido um catalisador e ao mesmo tempo um fator de segregação entre a vontade e a realidade, dessa forma tornando os pensamentos e ações dos homens mais assemelhadas a tudo que é mundano do que a fantasia da vontade. Fica evidente que essa moral “divina”, se tratando fundamentalmente de um desejo de como os seres deveriam se comportar, deve se desprender dessa racionalidade estática terrena para alcançar um grau efetivo de um comportamento idealizado. Mas isso, como tudo que é idealizado, deixa sempre a pergunta:
-“Será realmente possível?”
A maior falha de pensamentos que são baseados na vontade e desejo é justamente a falta de pragmaticidade dessas idéias. Um pensamento não pode ser afirmado como verdadeiro apenas por ser o desejo de muitos. Isso não modifica a realidade. Os alquimistas são um bom exemplo disso. A busca por uma forma de transformar chumbo em ouro não era baseada em evidencias, e sim na pura vontade de fazê-lo. E quanto aos moralistas? Seriam eles nada além do que alquimistas da moral?
O próprio pedido de perdão é um pedido injusto. Os atos e ações que causaram mágoa ou sofrimento ainda estão vívidos da mente e na carne. O pedido de perdão é nada mais que uma solicitação de uma amnésia induzida. O ato de perdoar é tão anormal quanto à insensibilidade ao fogo ou a negação da fome. É antinatural, ou mesmo desumano se preferirem. Enquanto existir memória, não há perdão. Essa é, de fato, a função da memória. Lembrar-nos do quão leviano fomos nós, ou ainda o quão bárbaro foram outros, e impedir-nos de continuarmos caindo nos mesmos buracos como bestas inconscientes. A consciência humana talvez tente forçosamente convencer-se de que talvez o espinho que lhe rasgara a carne não tivesse culpa por não possuir desejo de causar um mal, mas independente da presença ou ausência da vontade, o dano foi feito e deixou seu vestígio, seja no corpo, na mente ou na alma.
O perdão sempre estará interligado intimamente com a possibilidade ou impossibilidade do esquecimento. A mente funciona fundamentalmente por uma função valorativa, se os valores defasados forem sem importância, em um breve período os vestígios são apagados e relembrados apenas com uma grande quantia de esforço. A chaga moral causada por um rompimento da confiança cedida dificilmente será perdoada, porque dificilmente será esquecida. As feridas realmente relevantes sempre são lembradas com nitidez, as feridas e seus causadores, e sempre são expostas por uma função aditiva, de forma que nossas relações interpessoais sejam definidas em grande parte por uma soma inconsciente de ações passadas.
Talvez o velho ensinamento “Se alguém lhe der um tapa, vire a outra face” seja uma lição puramente idealista, e somos incapazes de praticá-la. E talvez o perdão seja mesmo divino, mas nós, humanos, estamos ainda distantes de tal divina benevolência.
“O Altruísmo morreu na cruz”
Domingo, 13 de Julho de 2008Escrito por Ray1001 5 comentários
Começo meu texto parafraseando um desses pensadores populares da atualidade não para tentar vangloriar-me com alguma forma de erudição, não tenho tal pretensão, faço-o puramente para atingir com precisão o ponto principal do pensamento (E claro, para atrair os pensadores nietzschianos distraídos). Muitos condenarão meu discurso logo de início, mas o farão puramente por fé. Não me refiro à fé a alguma forma de manifestação religiosa, refiro-me a fé depositada na humanidade, a fé na boa índole do ser humano. Não os culpo, talvez devesse começar minhas palavras com um aviso aos que apreciam a ilusão com certo fervor adolescente. Mas não o farei, pois com toda a minha sinceridade afirmo: não me importo com a sensibilidade dos senhores.
Minha atitude provavelmente repulse muitos leitores, mas o faz apenas porque o termo “crueldade” recebe uma conotação pejorativa das pessoas que o usam. Aparentemente apresentar-se em sua forma crua é ofensivo. A hipocrisia é regra fundamental da etiqueta moderna. “Esconda suas vergonhas que eu esconderei as minhas”, assim tratam-se os Homens em sociedade, e assim, a vida passa como uma peça teatral. Mas há nessa peça atores que se cansaram de atuar. A ficção pode entreter, mas continua a ser ficção. A vida a sombra da verdade revela-se infrutífera.
Não acuso aqui os ditos “altruístas” de fingirem seus atos, estou convicto de que o fazem com sinceridade, simplesmente por não perceberem a origem da força que os fazem agir da maneira que o fazem. Acreditam realmente de que suas ações são desprovidas de qualquer vontade egoísta, e que o fazem pura e simplesmente por amor aos seus irmãos da sociedade. Um “amor” que não pode existir na ausência do mais puro egoísmo.
Poderíamos aqui indagar se uma ação altruísta perderia seu significado se fosse feita baseada em egoísmo. Se há algo de imoral em auxiliar outros para satisfação própria. Mas não desejo discutir a moralidade dos homens, ao menos não agora. Restringirei minhas palavras aos fatos, não a valores pessoais abstratos. Os valores atribuídos as ações não as modificam. Alteram apenas suas possíveis interpretações.
A princípio, parece inviável citar o egoísmo como o fundamento de uma ação filantrópica. Mas não há na natureza humana vantagem no altruísmo gratuito. Uma ação que exija algum esforço e sacrifício e que não retribua correspondendo a algum dos interesses do indivíduo em questão é simplesmente irracional demais, mesmo para o ser humano, para que este a pratique.
A natureza de todas as coisas é a inércia, e o homem não é exceção (Por isso, não se culpe de sentir aquela velha preguiça de fazer as coisas). Você não se levantaria do sofá se não estivesse com fome ou com vontade de ir ao banheiro. Toda ação ou pensamento deriva da vontade de satisfazer uma necessidade ou desejo, na ausência da vontade, tudo tende a permanecer estático.
Dessa forma, se uma ação altruísta fosse em suma uma ação desinteressada, ela não existiria. Continuariam os homens a ajudar outros se fossem recebidos com ingratidão, invés de agradecimentos? Continuariam os homens a ajudar outros se não sentissem um prazer bem egoísta ao fazê-lo? Continuariam os homens a ajudar outros homens se isso não lhes desviasse a atenção dos seus próprios problemas?
Ao retirarmos todas essas prazeres e vantagens das ações altruístas, apenas o que resta é a pura fé no ser humano. Uma fé digna daqueles que preferem ver o que desejam, e não o que realmente é. Uma fé cristã.
Se um dia disser vos amar, digo-o por puro amor próprio.
Torre de Marfim
Sábado, 5 de Julho de 2008Escrito por Manjí 7 comentários
"Os professores ensinam para ganhar dinheiro e não se esforçam pela sabedoria, mas pelo crédito que ganham dando a impressão de possuí-la. E os alunos não aprendem para ganhar conhecimento e se instruir, mas para poder tagarelar e ganhar ares de importante."
“Diante da imponente erudição de tais sabichões, às vezes digo para mim mesmo: ah, essa pessoa deve ter pensado muito pouco para poder ter lido tanto!”
"Em geral, estudantes e estudiosos de todos os tipos e de qualquer idade têm em mira apenas a 'informação', não a 'instrução'. Sua honra é baseada no fato de terem informações sobre tudo, sobre todas as pedras, ou plantas, ou batalhas, ou experiências, sobre o resumo e o conjunto de todos os livros. Não ocorre a eles que a informação é um mero 'meio' para instrução,”
- Arthur Schopenhauer em Parerga e Paralipomena.
Não é estranho ou incomum encontrar pessoas em meios acadêmicos e intelectuais, que gozam do “privilégio” e da responsabilidade de ostentarem, e com muito apreço, o título de erudito. Afinal, se empanturrar de idéias alheias e devorar quantidades monstruosas de livros e escritos merece um título certo? Sendo assim, o que diferencia um erudito de um intelectual?
Não sei. Mas percebo que atrelado a esses títulos muitas vezes se encontram juntos, uma aura de elitismo e intolerância. Como se a sensação de superioridade intelectual subisse a cabeça, tornando o ser, em uma maquina que só aceita o que é acadêmico, erudito e intelectual, enquanto recusa, o quase profano, contato com o mundo “popular”.
O que muitas vezes causa panelinhas universitárias de professores esnobes, segregação intelectual, seletividade e efeitos gerais de intolerância e elitismo tradicional, com quem teoricamente deveria ter mais facilidade para adentrar o tal mundo, e acaba sentido o atrito forçado pelos “Big Boys”.Esses sujeitos acabam então, causando repulsa e revanchismo, o que torna universidades e semelhantes, em ambientes competitivos(mais do que o necessário), de produtividade relativamente reduzida, além de desconfortáveis.
Então o elitismo intelectual causa uma má impressão nos outsiders, aumentando ainda mais o “estranhismo” com tais assuntos. “Estranhismo” esse que já existe a um bom tempo(causando imagens como a de que estudiosos de áreas mais abstratas são loucos) e que só tende a aumentar enquanto os revolucionários/cultos de internet e eruditos de universidades, ouvindo MPB e música clássica, brincam de “Eu li mais livros que você”.
Abraços, e Bill, it's your baby!
Marcadores: Elitismo, Erudição, Filosofia, Intelectualidade