Torre de Marfim

sábado, 5 de julho de 2008
Escrito por Manjí

"Os professores ensinam para ganhar dinheiro e não se esforçam pela sabedoria, mas pelo crédito que ganham dando a impressão de possuí-la. E os alunos não aprendem para ganhar conhecimento e se instruir, mas para poder tagarelar e ganhar ares de importante."

“Diante da imponente erudição de tais sabichões, às vezes digo para mim mesmo: ah, essa pessoa deve ter pensado muito pouco para poder ter lido tanto!”

"Em geral, estudantes e estudiosos de todos os tipos e de qualquer idade têm em mira apenas a 'informação', não a 'instrução'. Sua honra é baseada no fato de terem informações sobre tudo, sobre todas as pedras, ou plantas, ou batalhas, ou experiências, sobre o resumo e o conjunto de todos os livros. Não ocorre a eles que a informação é um mero 'meio' para instrução,”

- Arthur Schopenhauer em Parerga e Paralipomena.

Não é estranho ou incomum encontrar pessoas em meios acadêmicos e intelectuais, que gozam do “privilégio” e da responsabilidade de ostentarem, e com muito apreço, o título de erudito. Afinal, se empanturrar de idéias alheias e devorar quantidades monstruosas de livros e escritos merece um título certo? Sendo assim, o que diferencia um erudito de um intelectual?

Não sei. Mas percebo que atrelado a esses títulos muitas vezes se encontram juntos, uma aura de elitismo e intolerância. Como se a sensação de superioridade intelectual subisse a cabeça, tornando o ser, em uma maquina que só aceita o que é acadêmico, erudito e intelectual, enquanto recusa, o quase profano, contato com o mundo “popular”.

O que muitas vezes causa panelinhas universitárias de professores esnobes, segregação intelectual, seletividade e efeitos gerais de intolerância e elitismo tradicional, com quem teoricamente deveria ter mais facilidade para adentrar o tal mundo, e acaba sentido o atrito forçado pelos “Big Boys”.Esses sujeitos acabam então, causando repulsa e revanchismo, o que torna universidades e semelhantes, em ambientes competitivos(mais do que o necessário), de produtividade relativamente reduzida, além de desconfortáveis.

Então o elitismo intelectual causa uma má impressão nos outsiders, aumentando ainda mais o “estranhismo” com tais assuntos. “Estranhismo” esse que já existe a um bom tempo(causando imagens como a de que estudiosos de áreas mais abstratas são loucos) e que só tende a aumentar enquanto os revolucionários/cultos de internet e eruditos de universidades, ouvindo MPB e música clássica, brincam de “Eu li mais livros que você”.

Abraços, e Bill, it's your baby!

7 comentários:

Luciano Darkside disse...

Muito legal o texto Manjí.. adorei... e, o que mais chama a atenção, é a sacada que vc teve em por a questão do "estranhismo" causado por tal pseudo-imntelectualidade.... isso acaba fazendo com que as pessoas se afastem do caminho da literatura, filosofia enfim, acadêmico, por acharem esses intelectuais de merda, um monte de fdp esnobes... desculpe pelos termos chulos.. parabéns!!!!

Luciano Darkside!

Deslocado disse...

É por essas e outras que detesto esses "intelectuais" e "eruditos", são um saco véi ¬¬

Naasci pra ser selvagem ae [h]

Bruna disse...

Haha, que nada pow, ser intelectual é só usar óculos de armação grossa, frequentar cafés, tomar capuccino, ler determinada quantidade de livro, escutar determinada música e se achar superior por isso!
Muito boa a crítica Sr. Zumbi!

Gabriel Pontes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gabriel Pontes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gabriel Pontes disse...

"Os que se julgam sábios se privam de um dos maiores prazeres da vida: Aprender!"

Parabéns;

Carla disse...

Muito bom texto.
Adorei.
Parabéns Manji.
A educação tem sido encarada de maneira equivocada, como adestramento e não desenvolvimento de potencialidades.